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Serra do Luar, Walter Franco

Amor, vim te buscar em pensamento
Cheguei agora no vento
Amor não chora de sofrimento
Cheguei agora no vento

Eu só voltei prá te contar
Viajei... fui prá Serra do Luar
Eu mergulhei... ah, eu quis voar
Agora vem, vem prá terra descansar

Viver é afinar o instrumento
De dentro prá fora
De fora prá dentro
A toda hora, todo momento
De dentro prá fora
De fora prá dentro

Me Deixe Mudo, Walter Franco

Não me pergunte
Não me responda
Não me procure
E não se esconda

Não diga nada
Saiba de tudo
Fique calada
Me deixe mudo

Seja num canto
Seja num centro
Fique por fora
Fique por dentro

Seja o avesso
Seja a metade
Se for começo
Fique à vontade

Mixturação, Walter Franco


o raciocínio lento, o poço, pensamento,
o olho, orifício, o passo, precipício.

em vermelho natural, no rosto e no lençol
com gosto de água e sal,  misturando o bem e o mal.

eu quero que esse teto caia, eu quero que esse afeto saia..
eu quero que esse teto caia, eu quero que esse afeto saia, já!

Revolver, Walter Franco

Lembrar de esquecer
Esquecer de lembrar
Cansar de dormir
Dormir descansar
Sorrir de doer
Doer de sangrar
Sangrar de morrer
Morrer de lembrar
Lembrar de esquecer
Esquecer de lembrar
Cansar de dormir
Dormir descansar


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Walter Franco
Disco Revolver, 1975

Intradução, Bernart de Ventadorn


Se eu não vejo
a mulher
que eu mais desejo
nada que eu veja
vale o que
eu não vejo

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Poema elaborado por Augusto de Campos (1974), a partir do texto do poeta provençal Bernart de Ventadorn (1174), publicado no livro "verso reverso controverso", editora perspectiva, 1978. Gravado por Walter Franco em seu disco Tutano.