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você praça, acho graça

você praça
acho graça

você prédio
acho tédio
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Av. Paulista - São Paulo - SP

O ESSENCIAL É SABER VER (instalação)


Na praça Clóvis Beviláqua (Fortaleza-Ce / Br) foram dispostos 163 canos de PVC brancos de 10 centímetros de diâmetro, de comprimentos variando entre 30 centímetros a 1 metro. Os canos estavam em pé, distribuídos em dois blocos e ocupavam uma área a céu aberto de aproximadamente 50 m². Às 8 horas da manhã, as sombras dos canos do primeiro bloco alinhavam-se de tal forma que revelavam, por alguns minutos, a frase: "O ESSENCIAL". No segundo momento, às 15 horas, as sombras do segundo bloco completavam a escrita com: "É SABER VER". Durante quatro dias foi exibido um fragmento do poema "O que nós vemos" de Alberto Caeiro, um dos heterônimos de Fernando Pessoa. No chão da praça, os versos desse mesmo autor foram escritos e apagados dia após dia.

O ESSENCIAL É SABER VER
Data: 11 a 14/12/07
Concepção: André Quintino
Produção: Abalberto Mendes, Juin e Jedi
Vídeo: Escola de Audiovisual (Vila das Artes )
Material: Canos de esgoto (PVC 100), compensado 2cm
Local: Praça Clóvis Beviláqua (Brasil - Ceará - Fortaleza)

Veja o Invisível



Arte Moderna da Periferia, Provocações


Trechos do Manifesto da 1ª semana de arte moderna da periferia.
"A arte que liberta não pode vir da mão que escraviza!"

Dos becos da periferia há de vir a voz que grita contra o silêncio que nos pune. A voz que galopa contra o passado pelo futuro de todos. Pela arte e pela cultura no subúrbio, pela universidade para a diversidade. Contra a arte patrocinada pelos que a corrompem. Contra a arte fabricada para destruir o senso crítico. A arte que liberta não pode vir da mão que escraviza. Sejamos, pois, a favor da poesia periférica que brota na porta do bar. A favor do teatro que não venha do ter ou não ter. A favor do cinema real que não iluda. Das artes plásticas que querem substituir os barracos de madeira. Da dança que desafoga. Da música que não embala os adormecidos. Da literatura das ruas despertando nas calçadas. Pela periferia unida, no centro de todas as coisas. Contra o racismo, a intolerância e as injustiças sociais de que a arte vigente não fala. Contra a surdez e a mudez artística. Pelo artista que não compactua com a mediocridade. Por um artista a serviço da comunidade, do país, um artista que por si só exercita a revolução. Contra a arte domingueira que a televisão defeca em nossa sala e nos hipnotiza no colo da poltrona. Contra a barbárie que é a falta de bibliotecas, cinemas, museus, teatros e espaços para o acesso ao que há de bom na produção cultural. Contra o capital que ignora o interior a favor do exterior. Contra um sistema que precisa de carrascos e vítimas. Contra os covardes e eruditos de aquário. Contra o artista serviçal escravo da vaidade. Contra os vampiros das verbas públicas para a arte privada. A arte que liberta não pode vir da mão que escraviza. Enfim, por uma periferia que nos une pelo amor, pela dor e pela cor. É tudo nosso! Miami pra eles? Me ame pra nós.

Sérgio Vaz, o Poeta da periferia

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